“Resident Evil 7” usa novidades para recriar tensão do 1º jogo da série

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“Resident Evil 7” usa novidades para recriar tensão do 1º jogo da série

Seria muito fácil para a Capcom fazer “Resident Evil 7” no mesmo estilo dos jogos mais recentes da série, com muito tiro, porrada e bomba e poucos enigmas e sustos.

Por exemplo, apesar das críticas, “Resident 5” e “6” são os dois jogos mais vendidos da história da empresa, somando juntos mais de 13 milhões de cópias pelo mundo. Por que mudar e arriscar?

Ainda assim, o novo game ousou mexer em mecânicas fundamentais, colocando visão em primeira pessoa, tirando heróis clássicos e focando em um aparente terror sobrenatural.

Parece estranho e podia dar errado, só que não: “Resident Evil 7” é incrível e imperdível para qualquer fã da série, esteja você animado ou não com o que viu e jogou até agora. Acredite, dê uma chance e vá até o fim.

De fato, este novo jogo é uma reinvenção menos radical do que foi “Resident 4” por exemplo. Trata-se de um retorno rigoroso às raízes da série, mas com uma nova roupagem que faz toda a diferença.

É uma produção muita consciente e competente, que sabe exatamente que tipo de experiência quer apresentar e mistura truques novos e velhos para conseguir isso.

Começamos com a visão em primeira pessoa, que proporciona imersão sem igual na série. Quem joga não está apenas vendo seu personagem sofrer nas mãos (ou garras) de monstros e outras calamidades: você está efetivamente no meio daquele pandemônio, o que deixa os sustos muito mais intensos.

Não é um jogo em que você vê um personagem atirando em zumbis e outros monstros, mas sim um game em que se deve explorar ambientes apertados e cheios de perigos, resolver enigmas e gerenciar itens em um inventário pequeno. Soa familiar, não é?

Devo continuar com estas chaves especiais no inventário ou levar mais munição para escopeta? Deixo estas ervas verdes no baú? Será que ainda preciso da manivela ou posso guardar de vez para levar uma pistola?

Cuidar dos itens e escolher os melhores para cada situação é, por si só, um quebra-cabeça constante, que faz boa companhia a outros enigmas, em especiais os vistos nos flashbacks opcionais em fitas VHS espalhadas pelo cenário. Pessoalmente, eu não reclamaria se o jogo tivesse mais puzzles, mas a qualidade é boa e a quantidade maior do que nos episódios mais recentes.

6 elementos de “Resident 7” provam que o jogo honra a série

Falando dos combates, há uma boa variedade de armas, com as tradicionais pistolas, escopetas e metralhadoras ao lado de opções menos convencionais, ainda que típicas de “Resident Evil”, a exemplo de lança-granadas e lança-chamas – assim como algumas poucas e boas surpresas.

Os inimigos carecem de variedade, é verdade, e são quase sempre variações de um mesmo monstro padrão, mas todos os encontros são intensos. Nem sempre é uma boa ideia bater de frente, fugir muitas vezes é uma opção melhor, já que oferece mais segurança e economiza munição e itens de cura.

O que nos leva às incríveis lutas contra chefes: os duelos são magníficos, capazes de figurar fácil entre os melhores da série nas listas de muitas pessoas.

Boa parte desse impacto todo se deve ao visual e som do jogo. Ambientes detalhados ajudam na imersão e as músicas e efeitos sonoros ainda mais. Jogar com som surround é simultaneamente um prazer e um terror, pois cada passo pela casa, tábua de madeira estalando, uivo do vento pela janela e, claro, movimento dos inimigos é reproduzido de forma característica e cristalina – é de gelar a espinha!

Pessoas mais rigorosas podem reclamar de algumas texturas e objetos 3D mais simples, mas isso é procurar pelo em casca de ovo. A composição geral dos cenários é magnífica e cumpre bem a tarefa de te levar para o mundo do jogo, especialmente em cenários menores e apertados.

Jogar em realidade virtual no PlayStation 4 é uma experiência bem diferente, com qualidades e defeitos. A imersão fica ainda mais intensa, destacando melhor os cenários detalhados, mas a movimentação é um pouco mais travada e incômoda, deixando combates mais difíceis. Jogar com o visor também é cansativo para a vista, deixando as sessões de jogo um pouco mais curtas.

A campanha exige cerca de 10 horas para terminar numa primeira jogada, sem se preocupar muito em procurar segredos, e a história, pode confiar, entrega tudo o que se espera de um “Resident Evil”, mas dando claro holofote às novidades, como a pitoresca família Baker e os elementos sobrenaturais da trama (muito bem explicados, por sinal).

Acho difícil que a alta qualidade de “Resident Evil 7” signifique o fim dos games da série focados em tiroteios em ação. Essa tarefa deve acabar ficando para spin-ofs (bons e ruins), como os excelentes “Revelations” e o controverso “Umbrella Corps”.

Porém, é muito empolgante ver uma série tão clássica e querida que sofria de falta inspiração conseguir tirar novos truques da cartola. Melhor ainda: é excelente ver isso acontecer com tanta qualidade e competência e também resgatando a essência da série, aquilo que a fez se destacar da multidão lá atrás, em 1996, quando era sangue novo no mundo dos games.

By | 2017-01-25T09:41:23+00:00 Janeiro 25th, 2017|Categories: Clan G34R, XboxOne|Tags: |0 Comments